26/04/2010

Fábrica da Leitura e Coletivo VIDA promovem 1º EducaVEG

Por Jaqueline Bueno

Para trocar informações, ideias e apresentar a filosofia vegetariana, o grupo Coletivo V.I.D.A. (Veículo de Intervenção pelo Direito Animal), em parceria com a ONG Fábrica da Leitura, realizou no último domingo (25) a primeira edição do EducaVEG. Cerca de 30 pessoas entre vegetarianos, veganos e simpatizantes se reuniram na sede da associação.

Fotos: Jaqueline Bueno

O evento foi dividido em duas partes: na primeira, o grupo explicou o surgimento do Coletivo VIDA, discutiu sobre o abate de animais para o consumo, as experiências realizadas para teste de remédio e inovações tecnológicas e apresentaram alternativas para estes fins. Já no segundo momento, os participantes puderam trocar experiências e informações sobre os mitos e verdades da saúde do vegetariano, sobre abolicionismo animal e diplomacia vegetariana. 

A universitária Marília Okuyama, 20, há quatro anos adotou uma nova maneira de se alimentar e acha importante que haja essas discussões. “É interessante porque podemos trocar experiências e ainda atingir mais pessoas, sendo elas vegetarianas ou não. Eu adorei o espaço, as pessoas e os assuntos abordados”, disse.

Nesta edição do EducaVEG, os organizadores também ofereceram um lanche feito com produtos naturais para os participantes. “Apesar de eu não ser vegetariano, gosto muito da filosofia e apoio a ideia, porém respeito quem ainda não mudou a maneira de pensar”, defendeu o universitário Leandro Silva Semegini, de 21 anos.

“A expectativa sobre o evento foi atingida, porque nós conseguimos apresentar os temas de maneira clara, as pessoas participaram fazendo comentários e exemplificando com histórias de vida e a conversa rendeu”, disse Alex Piguinelli, um dos integrantes do Coletivo VIDA. 

Para a vice-presidente da Fábrica da Leitura, Suely da Silva Lima, a parceria com o VIDA já mostrou resultado. “A intenção é continuar fazendo eventos com o pessoal para que o espaço da Fábrica cumpra o seu objetivo de disseminar cultura, informação e de contribuir de alguma maneira com a transformação das pessoas”, afirmou.

Durante o evento, os participantes também receberam uma revista preparada pela organização com textos referentes aos temas abordados e puderam adquirir adesivos, DVDs e camisetas personalizadas.


Crie






Fotos: Jaqueline Bueno

19/04/2010

Sete de abril


Hoje é o dia do jornalista e eu queria tanto escrever algo sobre a profissão, contar histórias, relatar fatos, fotografar, registrar, rascunhar, mas decidi parar um pouco e refletir sobre a profissão escolhida por mim.

Portanto, darei uma pausa e em breve compartilharei minhas ideias, opiniões e reflexões.
Um forte abraço.

Jaque Bueno

Sucumba à tentação





Por Jaqueline Bueno


Sabe aquela história de que Páscoa não é só o chocolate? Pode até ser, mas não podemos negar que a melhor parte é essa. Na verdade, para muitas pessoas (eu me enquadro aí), a comilança da deliciosa mistura do cacau com leite, castanhas e outras coisitas dura o ano todo é como no poema do grande Vinícius... “que seja infinito enquanto dure”.

Outra conversa que me tira do sério nessa época é “vai gastar dinheiro com isso?”, duvido se você ganhasse uma caixa repleta de chocolates, trufas, bombons e tudo o mais que se pode ter nessa época se não iria abrir um sorrisão e também não diria a frase clichê sobre não precisar do presente. Sai dessa! Aproveita... o chocolate traz benefícios para corpo e para a alma também.

Uma vez li uma matéria sobre um estudo ‘chocolatístico’ (o sufixo ístico lembra estatístico, números, somas, acho que o neologismo vale nesse caso) que revelava os benefícios do delicioso, maravilhoso, magnífico... ops, voltemos ao tradicional chocolate. Segundo a pesquisa, “os antioxidantes presentes no chocolate amargo combatem os radicais livres, retardando, assim, o envelhecimento, e ajudam a diminuir os níveis de LDL (o mau colesterol) no sangue”. Além disso, podemos encontrar no doce as “vitaminas A,B, C, D e E-- e sais minerais, como o ferro e o fósforo”.


As histéricas de plantão poderão dizer que apesar de conter tudo isto, o chocolate é altamente calórico. E daí? Na vida tudo deve ser moderado, por isso basta ter bom senso. Afinal, quantas ‘porcarias’ comemos ao longo da nossa vida. Uma vez pelo menos, eu recomendo. Depois é só dar uma corridinha, fazer uma caminhada. Se isso ainda não for hábito, quem sabe pode mudar.

Já levantei a bandeira tempos atrás sobre querer chinelo para vida toda, hoje mudarei o lema: “Quero chocolate para o resto da minha vida”. E que o coelhinho venha me visitar quantas vezes quiser. Feliz Páscoa a todos!

Contradições e devaneios

Por Jaqueline Bueno

Por mais que você faça planejamentos, a vida sempre te surpreende e te mostra que o momento não é aquele. Por mais que você se esforce e passe anos se dedicando a uma única ação, mesmo tendo outras em paralelo, mas faz daquela a primordial, a vida sempre sopra no seu ouvido sobre não pensar muito naquilo.

As pessoas vivem dizendo sobre direcionar pensamentos e despender energias para determinada coisa, porém quando você tem a convicta certeza sobre a sua realização, sempre tem mais a frente.

Você passa quase toda a sua existência fazendo e mantendo contatos – faço uso do gerúndio para perceber quão movimentada é nossa vida, quão cíclica ela é e como passamos a nos importar com isso apenas quando ela parece estática – e no final quantas desses milhares de pessoas passam por você e sorriem, ou falam um bom dia educadamente e sem pressa, ou tentam salvar uma vida, não a sua, mas a de alguém que tanto precisa?

Encontrar o equilíbrio para alguns pode parecer fácil, só que não é bem assim. Administrar família, carreira, amizades e amores tem sido uma tarefa um tanto árdua para muitos. Mas isso não justifica os atos, pois o caráter é moldado ao longo das primaveras e as experiências e reflexões pelos outonos.

Durante todas as estações buscamos nos tornar mais humanos, sensíveis, presentes e tentamos encontrar oportunidades para seguirmos o caminho correto. No final, percebemos que as cores das flores, a melancolia das folhas secas, a rigidez do vento gelado e o calor dos dias passam por nós com uma insignificância tamanha; as pessoas também. Mas nós podemos mudar isso.

Ideologia, um fator de ordem

Por Jaqueline Bueno

A indústria cultural cria necessidades e as ações vindas dela são bem planejadas para as pessoas acreditarem que se estão consumindo algo é porque precisam e não porque lhe impuseram aquilo. Assim tornam-se servis aos seus comandos, movem-se conforme as regras, alienam-se e submetem-se a horas de desperdício de tempo pelo “falso prazer”. Não exercem, de fato, a sua liberdade e se privam de conteúdos enriquecedores, levando a uma visão cada vez mais reducionista e materialista imposta pelo capital, pelas disparidades sociais, culturais e econômicas.

A ideia de ordem e progresso é ideológica, pois não é possível ordenar uma sociedade baseada no imediatismo, no efêmero e muito menos haver um progresso significativo em que a dignidade humana não é colocada em prática.

O filme “Cama de gato” contrapõe essa indústria cultural de caráter político, econômico e social – nessa ordem – que desapropria o saber. Este filme, realizado com uma verba mínima se comparado às produções Hollywoodianas, levanta questões como a violência gerada por uma sociedade excludente, de aparências. Discute ainda a relação entre as pessoas, a falta de ajuda mútua, de controle e de limites. E aponta como uma educação sólida e solidária, com princípios e metas, modifica o pensar e o agir, sem propiciar vantagens apenas “aos mais potentes interesses”, além de apresentar as consequências de atos impensáveis.

A chamada estandardização - padronização dos gostos - é planejada e, intencionalmente, gerada para levar ao consumo, pois quanto mais pessoas consumirem a mesma coisa, haverá menos discussões em torno dessa coisa. Essa falta de consciência leva aos problemas vividos atualmente, como por exemplo, o aumento no índice de pessoas obesas com níveis culturais e financeiros baixos, pois como afirma o pediatra Alessandro Danesi, “comida ruim é barata”.

De acordo com resultados das pesquisas do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), apresentados na edição de novembro/2009 da Revista Brasil, “71,6% dos alimentos anunciados na TV são: fast food, guloseimas e sorvetes, refrigerante e suco natural, salgadinho de pacote e biscoito doce ou bolo; e 73,1% dos produtos estão prontos para consumo – a maioria em gordura, sal e açúcar”. Neste caso, não importa a qualidade, mas a aparência e a máxima de que se fulano usa ou consome, terei que usar e consumir para me sentir aceito socialmente e ainda porque não exigirá muito de mim.

Felizmente, se se diz que o “mundo quer ser enganado” teremos que concordar em partes, pois há pessoas deixando de curva-se para o monopólio da indústria cultural e buscando subsídios para que todos percebam a importância de incorporar o espírito de criticidade e de liberdade oportuna

O que é ser rondonista?*


Imagino que todos se perguntaram durante toda a viagem o que é o Rondon. Por que nós estamos reunidos, numa comunidade tão istante da nossa, com pessoas diferentes de nós... Bom... Nós, equipe de Paraúna, não sabemos a resposta exata para essas perguntas, mas sentimos que tudo se transformou durante essa experiência tão maravilhosa.


Durante todo o percurso da viagem transpusemos barreiras... Abrimos mão de manias, superamos medos, dividimos o que outrora nos era indivisível.


A realidade nua e crua da vida de outras pessoas abriu a nossa mente para além das nossas próprias vontades e nos permitiu ver que não estamos aqui apenas para seguir caminhos individualizados, tão somente para formar multiplicadores. A bem da verdade, se surgirem multiplicadores será mérito único e exclusivamente dos moradores da comunidade.


Estamos aqui porque somos o futuro. Somos os próximos a fazer leis... A gerir a economia, a saúde, a educação... A escrever as notícias dos jornais, a direcionar as relações externas brasileira, a dirigir as políticas de proteção ambiental, a gerenciar indústrias, desenvolver as pesquisas tecnológicas... Enfim, somos os próximos a presidir este país.

E como faremos tudo isso se não conhecermos a fundo a realidade e os anseios do povo brasileiro?



É óbvio que com essa experiência não conhecemos a maior de todas as necessidades desse povo tão imenso e diversificado. Entretanto, podemos afirmar uma coisa, nada é como nós imaginávamos. A noção de realidade mudou, expandiu um pouquinho mais e certamente nos tornamos mais do que rondonistas, mais do que formadores de multiplicadores, mais do que humanos sensíveis... Nos fundimos ao nosso povo e nos tornamos realmente BRASILEIROS!


Este RONDON já está acabando. Estamos voltando para a correria do dia-a-dia, junto com nossos familiares e amigos. Mas certamente valeu muito cada segundo dessas duas semanas em PARAÚNA.


Todos os abraços, olhares e palavras que recebemos, as novas amizades que firmamos, a dedicação e o companheirismo do nosso querido anjo Neves... Verdadeiro instrumento de Deus, um ser humano exemplar e inesquecível... Tudo irá nos acompanhar eternamente.


E sem dúvida, quando formos os líderes deste país não tomaremos as decisões pensando apenas em nossa individualidade, mas também e principalmente naqueles que nos ensinaram muito mais do que aprenderam.


É com imenso carinho que nós do IMESA e da UNB agradecemos... Muito obrigado Rondon! Muito obrigado Paraúna! Obrigado, muito obrigado, Neves!

*Este texto foi escrito pela equipe de rondonistas que atuou em Paraúna- GO. O grupo foi composto por professores e alunos do Instituto Municipal de Ensino Superior de Assis (Ébano, Osmar, Anderson, Jaqueline, Heloísa, Izaura, Celso e Guilherme) e da Universidade de Brasília (Regina, Éric, Mainnã, Felipe, Rafael, Marina e Aline) e foi citado como exemplo pelo General responsável.